Com a chegada das festas juninas, é comum vermos balões sendo soltos e estouros de fogos de artifício, apesar disso, por trás da beleza e da alegria da celebração, existe várias riscos e perigos que muitas vezes são desconhecidos e negligenciados.
Os fogos de artifício, além de sua característica festiva, podem causar acidentes gravíssimos. Segundo Juliano Gonçalves, Head da Divisão de Cabos da Megger Brazil, o perigo torna-se mais evidente quando os fogos são disparados na direção às linhas de energia aéreas, que estão no alto dos postes elétricos.
“Os fios elétricos já suportam o esforço de seu próprio peso. No entanto, caso ocorra a explosão de um rojão em algum ponto dessa rede, há o risco de rompimento, resultando em um potencial acidente fatal ao cair no solo. Essa situação pode acarretar na interrupção temporária ou permanente do fornecimento de energia elétrica na região, afetando até mesmo serviços essenciais”, explica.
O especialista ainda alerta para a temperatura da explosão, visto que pode ser fatal. “É importante ter em mente que um curto-circuito provocado por um fio da rede elétrica pode atingir temperaturas de até 6.000˚C, enquanto a chama de um fogão doméstico alcança aproximadamente 650˚C. Essa intensidade de calor é gerada instantaneamente, a velocidade da luz, resultando em uma situação na qual não há tempo hábil para reação por parte das pessoas próximas”, complementa.
Além dos riscos para as redes de energia, Juliano também destaca que essa prática frequentemente resulta em acidentes graves. “Durante a Copa do Mundo, testemunhei um incidente no qual um rojão falhou no momento do lançamento, explodindo na mão de um amigo, que acabou perdendo dois dedos”, recorda Juliano.
Conforme dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), através do menos 126 pessoas foram hospitalizadas no Brasil no ano passado devido a acidentes envolvendo fogos de artifício.
Como, então, celebrar com segurança?
Embora Juliano desaconselhe a prática, ele enfatiza a necessidade de escolher cuidadosamente o local para a realização de disparos de fogos de artifício. O local escolhido deve ser aberto, livre de redes elétricas, vegetação densa ou edificações próximas.
Além do que, ao conseguir fogos de artifício, é importante comprar exclusivamente em estabelecimentos devidamente autorizados e certificados pelos órgãos competentes e sempre checar se existe a presença do selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO).
Juliano enfatiza: “É fundamental evitar o transporte de fogos de artifício no bolso ou em locais próximos ao corpo. O manuseio requer extrema cautela, incluindo o uso de itens de segurança recomendados, como óculos protetores, luvas e vestimentas apropriadas”.
Outro aspecto crucial é a atenção à direção e intensidade do vento, defendendo a ausência de obstáculos ou edificações próximo que possam interferir na trajetória dos fogos, impedindo assim possíveis acidentes. O perigo de desvios na trajetória, que poderiam resultar no contato com fios elétricos, é real e pode ter consequências imediatas.
Por final, o especialista destaca que, nos locais onde a rede elétrica é subterrânea, o risco é significativamente reduzido, como evidenciado através do debate subsequente aos apagões ocorridos em São Paulo. Ele argumenta que essa medida não exclusivamente minimizaria os riscos, assegurando proteção aos equipamentos, mas também garantiria a segurança das pessoas presentes durante a celebração. “Este é um ponto fundamental quando falamos sobre garantir a segurança das pessoas e prevenir incidentes”, conclui o especialista.
Em caso de acidentes que causem o rompimento dos fios, se atente à:
● Impedir a aproximação de terceiros;
● Nunca tocar os fios danificados, nem mesmo com objetos que pareçam não conduzir eletricidade, abstendo-se de tentar remover objetos ou pessoas em contato com os fios;
● Entrar em contato imediato com o Corpo de Bombeiros e com a companhia elétrica responsável através da área.
Fonte: PortaldeAmericana
