A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou as medidas anunciadas através do governo federal para conter a alta no preço dos alimentos. Através de nota, o colegiado considerou as ações ineficazes e afirmou que a redução mais efetivo para combater a inflação desse tipo de produto “é a colheita da safra brasileira que ocorre nos próximos meses e a correção de ações que impactam diretamente o custo de produção no Brasil.
Em um dos pontos, a Frente destacou que o governo tenta criar uma narrativa no sentido de que busca soluções, quando, na verdade, “o problema está concentrado no seu próprio desequilíbrio fiscal.”
Além de tudo, a FPA ressaltou a necessidade de tratativas do novo Plano Safra 25/26, com garantia de implementação total de recursos, com juros adequados aos produtores rurais do país, além de acesso amplo. De acordo com o colegiado, a ideia de transferir o ônus de bancar o desequilíbrio do gasto público para os produtores não vai defender alimentos mais baratos.
Veja a íntegra da nota
- O problema da inflação não é a oferta de alimentos. O governo federal tenta criar a narrativa de buscar soluções, quando o problema fica concentrado no seu próprio desequilíbrio fiscal, responsável por onerar os custos e por alavancar a inflação;
- Não é transferindo o ônus de bancar o desequilíbrio do gasto público do governo para os produtores rurais que teremos uma comida mais barata e uma produção economicamente viável;
- As medidas apresentadas através do governo federal, na próxima quinta (6), são pontuais e ineficazes para efeito imediato, inclusive quando se gasta recurso interno ao zerar impostos para produtos importados, sem defender o reforço ao apoio da produção brasileira;
- A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ressalta a necessidade de começar as tratativas do novo Plano Safra 25/26, com a garantia de implementação total de recursos, do acesso pleno e com juros adequados aos produtores rurais brasileiros; e
- Aguardamos ainda um retorno do governo federal sobre as medidas estruturantes de curto e médio período apresentadas através da FPA, em conjunto com o setor produtivo nacional, na sexta-feira anterior (28), ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil.
Medidas anunciadas através do governo
No último dia 6 de março, o governo anunciou várias medidas com o intuito de baratear os preços dos alimentos. Conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), as ações zeram impostos de importação de alguns produtos, dentre eles café, azeite, açúcar, milho, óleo de girassol, sardinha, biscoitos, macarrão e carnes.
Pronaf: BASA projeta atender 30 mil famílias com R$ 2,5 bi em financiamentos, em 2025
Orçamento 2025: veja os impactos causados até o momento através do atraso na votação
Uma das iniciativas envolve a extensão do Serviço de Inspeção Municipal (SIM). O governo informou que, neste caso, o objetivo é possibilitar, através do momento de um ano, a comercialização em todo o território nacional dos produtos que já foram devidamente certificados no âmbito municipal.
Outra ideia é que, no Plano Safra, haja estímulo à produção de itens da cesta básica. Para isso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve investir na formação de estoques reguladores.
Veja as medidas
Medidas regulatórias
- Expansão do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI) dos atuais 1.500 municípios para 3.000, abrangendo a certificação de leite fluido, mel, ovos e outros produtos.
- Previsão, no Plano Safra, de medidas de estímulo para produtos da cesta básica, assim como os óleos de canola e de girassol, que são culturas de inverno.
- Formação de estoques reguladores através da Conab, depois de a queda dos preços.
- Sensibilização dos governos estaduais para que, os que ainda não o fizeram, zerem o ICMS cobrado sobre os produtos da cesta básica.
- Medidas de política comercial
1. Tarifas de importação zerada
- Azeite: (hoje, 9%)
- Milho: (hoje, 7,2%)
- Óleo de girassol: (hoje, até 9%)
- Sardinha: (hoje, 32%)
- Biscoitos: (hoje, 16,2%)
- Massas alimentícias (macarrão): (hoje, 14,4%)
- Café: (hoje, 9%)
- Carnes: (hoje, até 10,8%)
- Açúcar: (hoje, até 14%)
2. Elevação da cota de importação do óleo de palma (de 60 para 150 mil toneladas).
Com informações de Portal de Americana

