Ame-a ou odeie-a. Essa é a relação de motoristas e motociclistas de Americana e Santa Bárbara d’Oeste com o sistema de estacionamento rotativo nas vias da área central, a chamada Zona Azul. Em ambas os municípios, o serviço é prestado através da mesma empresa: a Estapar. Dificuldade na compra do ticket, falta de informações, acesso limitado às monitoras e notificações passíveis de multa são as principais reclamações dos usuários.
Paulo César Vital, usuário da Zona Azul, faz críticas ao sistema de cobrança. “Mais de uma vez eu cheguei no carro e encontrei o aviso de multa. Se não resolver no mesmo dia, preciso pagar uma multa de R$ 50, que é metade do que ganho em dia. Isso é um absurdo e precisa ser revisto. Não dá pra gente pagar por um sistema que não funciona”, ressaltou.
Um dos principais argumentos dos críticos à Zona Azul é que o estacionamento rotativo acaba atrapalhando o comércio, impedindo que consumidores frequentem a área central para compras e serviços. Evandro Barizon, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Americana (Acia), rechaça essa afirmação. “Nenhum comerciante é contrário a Zona Azul, mas todos entendem a necessidade de acertar alguns pontos na questão da compra do ticket”, afirmou.
O vereador Lucas Leoncine (PSD), chefe do governo Chico Sardelli (PL) na Câmara de Americana, destaca que já foram feitas reuniões entre o Legislativo, o Executivo e a Estapar, para buscar melhorias nos serviços. “
A empresa tem se mostrado disposta a melhorar o sistema, principalmente no que tange ao melhor acesso do usuário aos totens e monitoras. Vamos sempre buscar o melhor para todos, buscando o fortalecimento de nosso comércio”, enfatizou.
Uma das alternativas apontadas através da Acia aos comerciantes seria disponibilizar um aparelho de telefone celular aos consumidores, com o App da Estapar, para que eles adquiram os créditos ali mesmo, na loja. Além de melhorar a vida do usuário, a ação pretende fidelizar o cliente ao estabelecimento. “O comerciante pode usar qualquer celular e baixar o aplicativo. Quanto mais simples for o atendimento ao cliente, maior a possibilidade que ele retorne”, apontou.
Em Santa Bárbara d’Oeste, o roteiro é muito parecido. Um projeto de lei pretende acrescentar o artigo 2º à lei municipal, tratando da gratuidade nos primeiros quinze minutos do estacionamento rotativo. A proposta estabelece sanções à Estapar em caso de descumprimento, como: multa no valor correspondente a 100 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (UFESPs); multa com acréscimo de 50% em caso de primeira reincidência; e multa com acréscimo de 100% em caso de segunda reincidência.
Procurada, a Estapar explicou, em nota, que “cumpre rigorosamente todas as obrigações contratuais estabelecidas com os respectivos poderes concedentes. A empresa informa que, sempre que foi necessário, realizou as adequações solicitadas pelas administrações municipais, visando atender às necessidades da população. A companhia reitera que o objetivo do estacionamento rotativo é democratizar o acesso ao espaço urbano, promovendo a rotatividade de vagas e beneficiando o comércio e os serviços locais, reduzindo o tráfego e contribuindo para a melhoria da mobilidade e do meio ambiente. Reforça ainda que investe continuamente em tecnologia, inovação e treinamento de colaboradores para aprimorar a experiência dos usuários.”
Machado de Assis escreveu um livro intitulado “Amor nenhum dispensa uma gota de ácido”. Situação similar ao sentimento vivido entre os usuários da Zona Azul e a empresa responsável através do serviço.
Usuários da Zona Azul divergem sobre qualidade dos serviços em Americana e Santa Bárbara d’Oeste
Fonte: TodoDia

