A exibição de crianças e adolescentes em redes sociais, prática chamada de adultização infantil, tornou-se pauta em destaque em todo o país nos últimos dias. O assunto ganhou repercussão nacional depois de a publicação de um vídeo do youtuber e influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, no qual ele critica a erotização e a exploração da imagem infantil em plataformas digitais. Agora, o debate fica no centro de projetos e audiências públicas dos legislativos da área.
Impactos psicológicos
Conforme a psicóloga infantil Luana Trez, é preciso atenção aos impactos psicológicos da exibição digital. Ela explica que, quando a criança se torna figura pública nas redes, pode sofrer distorções na autoestima e no processo de formação da identidade.
“Curtidas e comentários passam a definir quem ela acha que deve ser, antes mesmo de ter um ‘eu’ consolidado. Isso afeta a confiança, a segurança e o bem-estar emocional”, observou.
Luana reforça a necessidade da presença, direção e supervisão parental. “Não se deixa uma criança sozinha em uma praça. O mesmo vale para a internet. É preciso acompanhar conteúdos, horários e tempo de uso, sem proibir totalmente, mas oferecendo equilíbrio com atividades fora do mundo virtual”, orientou.
Repercussão no Legislativo da área
Em Santa Bárbara d’Oeste, a vereadora Esther Moraes (PL) protocolou um pedido de audiência pública com a proposta de unir profissionais da educação, saúde mental, serviço social, órgãos de proteção e famílias. O objetivo é discutir medidas locais para confrontar a exibição excessiva e sem regulamentação de crianças na internet.
“A gente tem muito esse entendimento de que o cuidado da criança pertence ao mundo privado, dentro de casa, muitas vezes sobrecarregando a mulher. O poder público tem um papel essencial nisso, que é justamente a formulação de políticas públicas”, afirmou a parlamentar. Esther também defende a regulamentação das redes sociais em âmbito nacional, com regras claras e punições para crimes online.
A vereadora destacou que, além do pedido de audiência pública, já foram protocolados dois projetos de lei no município sobre o tema, e que é preciso integrar o debate com escolas, serviços de saúde mental e políticas de esporte e cultura. “Celulares e redes sociais estão aí. Precisamos ajudar famílias, especialmente as mães, a ter rede de apoio e oferecer alternativas de lazer e convivência para nossas crianças”, completou.
Legislativo americanense
Em Americana, o vereador Jean Mizzoni (PSD) protocolou na próxima quinta (14) um projeto de lei que cria diretrizes de prevenção e debate sobre adultização infantil. Para o parlamentar, a prioridade é abrir espaço de diálogo envolvendo órgãos como o Conselho Tutelar e a Vara da Infância, além de outros vereadores e representantes da sociedade civil.
“A ideia é prevenir que casos como o que vimos recentemente se repitam e, se acontecerem, que haja punição rápida. A demanda é grande e os órgãos precisam de mecanismos para executar melhor seu trabalho”, falou.
Adultização infantil em redes sociais mobiliza câmaras da área
Fonte: TodoDia

