Uma reportagem exibida através da TV TODODIA despertou o interesse da ucraniana Iryna Panfilova, moradora de Americana existe quase 11 anos, através do projeto Samovar, um clube de leitura dedicado à difusão da literatura e da cultura russa na área. Criado na Biblioteca Municipal, o grupo reúne leitores interessados em obras clássicas e contemporâneas em encontros marcados por leitura, análise e debate.
Iryna contou que já procurava clubes de leitura no município quando se deparou com a matéria. “Faz tempo que eu queria achar alguns clubes de leitura aqui em Americana, e eu vi a matéria da TV TODODIA, que me deixou muito interessada, porque eu sou da Ucrânia e me considero parte dessa cultura russa. Fiquei muito feliz e intrigada para saber como é esse clube de leitura com literatura do Leste Europeu”, afirma.
Primeira experiência e reconhecimento cultural
Casada com um brasileiro e mãe de dois filhos, ela avalia o Brasil sua segunda pátria. Fluente em português, lê os livros em russo e participa das discussões em português. Segundo Iryna, a experiência no primeiro encontro foi marcante. “Foi maravilhosa. O livro que lemos trata de temas profundos, relacionados ao stalinismo da metade do século passado, além de questões ligadas às mulheres. Achei a conversa muito rica e me senti totalmente à vontade.”
A leitora também mencionou sua afinidade com autores eslavos. “Gosto muito do Bulgakóv. Inclusive, o próximo livro é O Mestre e Margarida, que considero um dos melhores da literatura russa e mundial. Também gosto dos irmãos Strugatsky, da ficção científica. No Brasil, as pessoas conhecem mais os clássicos, como Dostoiévski e Tolstói, mas a literatura recente também tem nomes muito interessantes”, comenta.
Planejamento e próximos passos
Idealizado através do professor Douglas Fonseca, o projeto Samovar fica em seus primeiros encontros. Ele leciona na FAM e é mestrando na USP, onde pesquisa a obra de Fiódor Dostoiévski. “As atividades ainda estão começando, mas já pensamos em outras ações. Para o ano que vem, queremos fazer um curso ou uma leitura guiada de Crime e Castigo, porque é o livro que mais sai na biblioteca. A ideia do clube é incentivar a leitura e o debate”, explica.
O grupo preserva um espaço de conversa no WhatsApp, onde leitores discutem as obras e escolhem, por votação, os próximos títulos. Entre as que participam fica a diretora e atriz Cláudia Vigiano, que se interessou através do projeto por influência da filha. “Ela adora Dostoiévski e Tolstói, e nós conversamos muito sobre literatura. Eu queria ampliar esse diálogo, conhecer pessoas com outras visões, que pudessem trazer novas perspectivas para meu interesse pela cultura russa”, conta.
Projeto continua aberto as pessoas
O projeto Samovar continua aberto à participação de novos leitores e tem atraído quem deseja explorar a literatura e aspectos culturais dos países eslavos. O próximo encontro fica agendado para 15/12, na Biblioteca Municipal de Americana.
Ucraniana descobre clube de leitura de literatura russa depois de ver reportagem da TV TODODIA
Fonte: TodoDia

