A trajetória de Juarez Godoy iniciou em Americana, nos anos 1980, quando a força da indústria têxtil abria espaço para profissionais especializados em fotografia publicitária. Em 1986, ele fundou o primeiro estúdio do segmento na área e iniciou uma carreira que, no decorrer dos anos, também passou através da música, através da produção cultural e através da preservação da memória local.
Antes de investir na fotografia, Juarez trabalhou em um escritório de contabilidade, em um cartório e em uma multinacional. A mudança de profissão veio da afinidade com a área, influenciada também através do pai, que era fotógrafo amador em São Paulo.
Com formação técnica em fotografia na capital paulista, ele conquistou clientes ligados à indústria e ao comércio, produzindo imagens de tecidos, roupas e outros produtos. Seus trabalhos chegaram a revistas de circulação nacional.
O começo exigiu criatividade para superar limitações financeiras. Sem recursos para comprar todos os equipamentos necessários, Juarez chegou a trabalhar com câmeras emprestadas. O domínio técnico amparou a conquistar clientes e fez com que outros fotógrafos encaminhassem serviços publicitários ao estúdio. Com o tempo, ampliou a atuação para regiões como fotografia de alimentos, indústria, moda e imagens aéreas.
Fotografias chegaram à França
Na década de 1990, a parceria com o violonista Laércio Ilhabela deu origem ao projeto Paisagens de Ilhabela, que juntou música autoral e fotografia.
Em 1997, os dois apresentaram o trabalho em Paris, com lançamento na Embaixada do Brasil. Enquanto as imagens de Juarez foram expostas no saguão, o músico realizou um concerto solo no anfiteatro.
A apresentação chamou a atenção de um representante cultural de Saint-Omer, no norte da França, que convocou os artistas a tornar no ano seguinte. Em 1998, eles voltaram ao país com as despesas custeadas e remuneração através do trabalho.
A experiência ampliou o alcance da produção fotográfica e marcou uma etapa importante da carreira, construída inicialmente em meio às demandas da indústria e do comércio regional.
Juca Jazz completa dez anos
A música ganhou ainda mais espaço na atuação cultural de Juarez em 2016, quando ele produziu o Juca Jazz. A proposta era valorizar músicos da Área Metropolitana de Campinas e de cidades próximas, como Piracicaba e Limeira, além de aproximar o público de diferentes estilos musicais.
O projeto iniciou em um pub, com encontros mensais em formato de clube de jazz. No ano seguinte, ganhou uma edição em formato de festival e passou a integrar de forma oficial as celebrações do Dia Internacional do Jazz, festejado em 30 de abril e promovido através da Unesco em cooperação com o Herbie Hancock Institute of Jazz.
A iniciativa também contribuiu para o desenvolvimento do Dia Municipal do Jazz em Americana, instituído por lei em 2018, na mesma data. As comemorações passaram a incluir apresentações de músicos convidados e de formações como a Orquestra Sinfônica de Americana.
Em 2026, o Juca Jazz completa dez anos. O objetivo continua sendo abrir espaço para artistas da área, desenvolver encontros musicais e aproximar variados públicos da produção cultural.
Livro preserva três décadas da história de Americana
O comprometimento com a memória local ganhou forma no livro Memória Viva de Americana, lançado em 2011. A publicação reúne fotografias produzidas entre 1981 e 2011, momento em que Juarez registrou paisagens, transformações urbanas e diferentes aspectos da vida no município.
A origem do projeto fica em um ensaio fotográfico iniciado em 1981 na estação ferroviária. No decurso das décadas, os registros formaram um acervo que deu origem ao livro e passou a contribuir para a preservação da história da cidade.
O trabalho também inspirou uma produção audiovisual baseada nas imagens. Em 2026, a publicação completa 15 anos, mantendo registros de diferentes épocas acessíveis a novas gerações.
Através da atuação profissional e cultural, Juarez recebeu homenagens como o título de Cidadão Americanense e a Medalha Princesa Tecelã. Sua trajetória inclui ainda iniciativas ligadas ao artesanato, à música e à valorização do patrimônio histórico.
Cultura como troca entre gerações
Juarez também desenvolveu atividades em escolas públicas e instituições de ensino, compartilhando experiências com estudantes de diferentes idades, da educação infantil a cursos de moda e publicidade.
Nos últimos dez anos, a produção cultural ganhou mais espaço em sua rotina, particularmente com o Juca Jazz. O contato com artistas mais jovens, segundo ele, permite uma troca ininterrupto de conhecimentos e experiências. “Estou sempre no meio dos jovens. Muitas vezes há essas oportunidades de trocar ideias, de compartilhar, de aprender e ensinar alguma coisa também. Acho que é isso, é uma troca”, afirma.
Ao falar sobre a própria trajetória, o fotógrafo destaca a necessidade de fazer cada trabalho com intenção, tanto na atividade profissional quanto na produção autoral e nas iniciativas culturais. “Não faço nada por fazer nessa área, tanto do trabalho como na parte autoral, artística, e até do lazer mesmo”, diz.
Entre fotografias, exposições, livros e festivais, Juarez construiu uma trajetória que conecta a produção artística à história de Americana. Enquanto seus registros preservam imagens de diferentes épocas, projetos como o Juca Jazz mantêm espaço para novos artistas e encontros culturais.
Fonte: TodoDia

