Pacientes relatam ainda sujeira e escorpiões no local; Chavantes diz que ala da UTI foi remanejada provisoriamente e que faz limpezas regularmente
Pedro Heiderich
O Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, administrado através do Grupo Chavantes, voltou a ser alvo de críticas depois de pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) precisarem ser transferidos por causa de goteiras no setor. O episódio expôs a fragilidade da gestão da Chavantes, que estuda reforma no hospital.
No começo de novembro, em sessão da Câmara, os vereadores Gutão do Lanche (Agir) e Renan de Angelo (Podemos) falaram sobre denúncias de goteiras na UTI do HM desde agosto por causa da reforma do telhado. A ala foi readequada existe dois anos.
Três semanas depois, Gutão voltou a falar do problema na Câmara e cobrou a Chavantes: “Espero que tomem todas as providências para resolver os problemas, inclusive do telhado. Vários vereadores receberam vídeos de pacientes da UTI sendo levados para outra sala quando chove por causa da goteira. Sabemos da dificuldade, mas não podemos aceitar isso”, afirmou. Gutão ainda citou problema de limpeza e escorpiões detectados no local.
Ao Notícias de Americana, a Chavantes informou que toda a ala da UTI foi remanejada provisoriamente para outro setor, “garantindo pleno funcionamento e segurança”. Além do que, a administradora do HM afirmou que fica em andamento “um levantamento técnico para captação de recursos destinados à reforma definitiva”, sem trazer mais detalhes.
Sujeira e escorpiões
Além dos problemas estruturais como da goteira, relatos de pacientes reforçam o clima de descontentamento em outras regiões, como limpeza, e novo relato de escorpiões no local.
Em redes sociais do Notícias de Americana, moradores desabafaram.
“Caos. A pior coisa foi a terceirização do HM , deveria ter entregue ao Estado. Que calamidade”, escreve Ingrid Marco.
Rosângela Oliveira fala sobre a falta de higiene do Hospital Municipal. “Horrível, só quem passou três meses lá sabe o que acontece, as negligências. Tive que pedir prá limpar o quarto, fazia dois dias que não era limpo, depois de tanto pedir foram limpar 1h da manhã”.
Angélica Santini listou problemas e citou escorpiões. “Além da demora em tudo, as coisas só funcionam se você brigar, senão eles deixam o paciente largado! Estou com a minha vó no hospital desde agosto por conta de uma hiponatremia, já achei 2 escorpiões no quarto dela! O ambiente é muito sujo, tudo encardido, tudo caindo aos pedaços! Péssimo!”.
A Chavantes informou que preserva rondas contínuas de higienização, limpeza terminal nas regiões críticas e dedetização periódica por empresa que tem especialização. “Situações pontuais são tratadas de forma imediata”, assegura a responsável através da gestão do hospital.
Sobre o tempo de espera, a empresa afirma ainda que o HM apresentou, no último ano, uma redução de 56 minutos no tempo médio de atendimento do Pronto-Socorro Adulto, caindo de 173 para 117 minutos entre outubro de 2024 e outubro de 2025.
De acordo com a Chavantes, o hospital passou a operar abaixo dos tempos de referência do Protocolo de Manchester, padrão internacional para serviços de urgência. A melhora é “reflexo de ações como reorganização de fluxo, implantação do Fast Track, aplicação da metodologia Lean e reforço da escala médica nos horários de maior demanda”.
Perguntada sobre a possibilidade de contratar mais médicos, enfermeiros ou empregados e qual seria a quantidade, a Chavante respondeu unicamente que o quadro de colaboradores passa por avaliação permanente, “com ajustes conforme a demanda assistencial”.
Acusações de erros
Dirce Guedes acusou o HM de erro médico no começo de outubro. “Fui fazer a retirada de uma carcinoma, o médico cortou em outro lugar e deixou o carcinoma. Fui na ouvidoria, até agora estou esperando a resposta do assunto e a remarcação da nova cirurgia no lugar certo. Um descaso com os pacientes”, conta.
A Chavantes rebateu. “O cirurgião identificou duas lesões, sendo necessária a retirada prioritária daquela de maior complexidade e potencial risco à paciente, localizada na região infraclavicular esquerda. A lesão foi removida e encaminhada para análise patológica, conforme os protocolos de segurança assistencial”.
A gestora do HM informou ainda que o procedimento foi feito corretamente e o material enviado para exame. “A cirurgia complementar mencionada pela paciente já está em processo de agendamento, e a equipe do hospital está acompanhando o caso para garantir que tudo ocorra da melhor forma possível”, completa.
Hercules Sass comentou que teve problemas com internação. “A Chavantes perdeu meu prontuário de internação, estou com a perna caindo”. A empresa aponta que todos os protocolos de pedido de prontuário médico foram devidamente atendidos e entregues. “Todas as solicitações foram integralmente cumpridas dentro dos prazos estabelecidos, encontrando-se assim plenamente regularizadas perante os requerimentos protocolados”.
Goteira na UTI expõe fragilidade da gestão da Chavantes no HM, que tenta tornar viável reforma
Fonte: Noticias de Americana

