Um caso inédito de disseminação internacional de mutações genéticas através de reprodução assistida levou autoridades sanitárias europeias a reavaliarem protocolos de triagem e limites de uso de material biológico. Um doador de sêmen dinamarquês, cujo material foi usado no decurso de 17 anos em 67 clínicas distribuídas por 14 países, transmitiu alterações no gene TP53 a através do menos 197 crianças.
O sêmen, comercializado a contar de 2005 através da European Sperm Bank (ESB), não apresentava anomalias detectáveis nos exames convencionais de rastreamento genético. As mutações no gene TP53, entretanto, estão associadas ao aumento significante de risco para vários tipos de câncer, incluindo tumores múltiplos, sarcomas, tumor cerebral, leucemia e câncer de mama. A condição se relaciona ao espectro da chamada síndrome de Li-Fraumeni, embora o doador não apresentasse indícios clínicos que indicassem o distúrbio.
A distribuição dos casos evidencia a escala do problema: 99 crianças na Dinamarca, 53 na Bélgica, 35 na Espanha, além de ocorrências registradas na Alemanha, Grécia, Suécia e outros países que utilizaram o material fornecido através da ESB. Investigações estão em curso para determinar a extensão do impacto e acompanhar o desenvolvimento das crianças afetadas.
O episódio reacendeu o debate sobre os limites éticos e quantitativos na utilização do sêmen de um único doador, inclusive em bancos internacionais que operam com grande circulação transfronteiriça.
Doador de sêmen transmite mutações a quase 200 crianças em 14 países
Com infomações de Jornal Americanense

