Policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana prenderam quatro suspeitos e apreenderam quatro toneladas de carne em um abatedouro clandestino de aves que funcionava em uma chácara no Jardim Nova Ângulo, em Hortolândia.
A maior parte da carne confiscada, de origem ainda desconhecida, é de frango. Mas também havia carne suína em alguns dos 20 freezers lotados achados no local. Além do abate, o armazenamento da carne também ocorria de forma irregular, segundo os policiais.
O flagrante ocorreu no final da manhã de quarta-feira (21), na Estrada Municipal Antônio Nazareno Gomes. Foram detidos o dono do estabelecimento irregular, de 67 anos, um homem de 42 anos, um de 69 anos e um de 19 anos, este último filho do dono.
A princípio, segundo os investigadores que fizeram o flagrante, o dono admitiu que abatia frangos no local, mas em pequena quantidade. No entanto, havia no terreno mais de 100 caixas vazias usadas para o transporte de aves vivas, os 20 congeladores industriais e uma área aos fundos preparada precariamente para o abate em grande volume.
No momento em que os policiais chegaram, um Ford Del Rey deixava o local com frangos resfriados em uma caixa no porta-malas e um equipamento de som anunciando a venda do produto “fresco”. O carro seria de um dos homens detidos.
Além do cheiro forte característico, a reportagem da TV TODODIA também verificou a existência de dezenas de urubus na área verde aos fundos do terreno, acessível por um portão, além de gatos no interior do imóvel, que seria a casa do responsável, contando inclusive com piscina e área para churrasco.
Polícia apura roubo de energia e viável crime ambiental
Além do viável crime sanitário e contra as relações de consumo, a Polícia Civil e a Polícia Militar apuram ainda outras duas situações: o roubo de energia elétrica e um viável crime ambiental, devido à contaminação do solo em função do descarte dos restos do abate das aves na área verde dos fundos do terreno.
Vizinhos que passaram de frente ao local durante a ocorrência confirmaram que a venda de aves limpas e resfriadas no local ocorre existe vários anos, tanto de porta em porta quanto a quem batia na porta da chácara.
Além da Polícia Civil e da Polícia Municipal, atuaram na operação também equipes da CPFL Energia, do Ministério da Agricultura, da Vigilância Sanitária Municipal de Hortolândia, da Polícia Científica, da Polícia Militar e da Polícia Militar Ambiental.
Defesa diz que investigação fica no começo
Advogado dos suspeitos, Lucas Buscarati disse sobre o caso. “A princípio, é uma denúncia anômica, cuja tipificação penal ainda é difícil passar agora. Cabe ao delegado de Polícia encarregado trazer maiores detalhes. Gostaria de salientar que o processo está em uma fase embrionária, no início das investigações, então qualquer informação adicional agora, eu posso prejudicar o processo”, comentou o defensor.
“O que posso adiantar é que todos os envolvidos estão à disposição das autoridades policiais para todo e qualquer esclarecimento para os fatos ocorridos aqui. Tudo está sendo investigado, esses números, a quantidade e a finalidade está sendo levantado e no momento oportuno, vai ser esclarecido”, completou Buscarati.
Carne será descartada, diz Ministério da Agricultura
De acordo com os técnicos do Ministério da Agricultura acionados para periciar o local, toda a carne é considerada imprópria para consumo e deve ser descartada de forma correta.
Os quatro suspeitos foram levados para a DIG em Americana, para prestarem depoimento. Até o fechamento desta edição, o delegado Lúcio Antônio Petrocelli ainda não havia definido quantos e quais dos suspeitos ficariam detidos em flagrante e quais seriam liberados, como testemunhas ou investigados.
Quatro são apreendidos em operação da polícia que fechou abatedouro de aves clandestino em Hortolândia
Fonte: TodoDia
