Unicamp recebeu em 2024 R$ 86 milhões no ano; com novo governo, valor despencou
O corte do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) no repasse para a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) referentes ao financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), que vai para hospitais da área prejudica Americana. Sem a ajuda, os moradores esperam ainda mais por uma vaga em hospitais públicos do estado.
A Unicamp recebeu em 2024, R$ 86 milhões, mas com o novo governo estadual, o valor despencou em 2025. O montante vem sendo usado para manter o HC (Hospital de Clínicas), um dos maiores hospitais universitários do país, e o Hospital Estadual de Sumaré (HES), ambos referência para toda a área de Campinas e Americana.
Entretanto, o governo Tarcísio não efetuou nenhum repasse para a entidade em 2025. O governador voltou a efetuar o repasse no apagar das luzes, no mês de dezembro, depois de um ano todo interrompendo o fluxo contínuo de auxílio financeiro para as unidades de saúde referências na área de Americana para especialidades. Além da demora, o repasse foi bem menor, de somente R$ 38 milhões, 56% abaixo do montante que a Unicamp recebia.
A situação afeta a qualidade dos hospitais e faz crescer a espera dos pacientes que procuram vaga para cirurgias e internações no HC e no HES. Procurado através do Notícias de Americana, o Governo do Estado não respondeu aos perguntas sobre a situação e se a gestão Tarcísio pretende retomar o valor do repasse feito em 2024.
Impacto direto e preocupante
A vereadora Professora Juliana (PT) vê com preocupação para Americana o corte no repasse. “O impacto é direto e muito preocupante. O HC da Unicamp e o Hospital Estadual de Sumaré são referências regionais em média e alta complexidade para Americana e toda a RMC. É para lá que são encaminhados pacientes do SUS que o município não consegue absorver integralmente, como casos de oncologia de alta complexidade”, explica.
Moradores de Americana têm procurado Juliana em busca de ajuda na área. “Tenho recebido demandas relacionadas a áreas como oncologia, hematologia, nefrologia e hemodiálise, muitas vezes em graus de complexidade que dependem de retaguarda hospitalar estruturada”, conta.
Quando existe instabilidade ou redução de recursos nesses hospitais regionais, quem sente primeiro é o paciente que já fica na fila ou que aguarda procedimentos de maior complexidade. “Qualquer corte no repasse compromete a capacidade de atendimento, aumenta o tempo de espera e pressiona ainda mais o sistema municipal”, completa.
Sucateamento
Professora Juliana criticou o governo Tarcísio, mas nega surpresa com o corte na saúde. “Quando o governo opta por transferir a execução de serviços públicos para a iniciativa privada e, ao mesmo tempo, promove cortes ou revisões em hospitais públicos universitários, ele demonstra que a gestão da saúde pública não é central em seu projeto”.
A vereadora diz que o sucateamento da saúde é uma estratégia. “Toda essa blindagem da privatização de serviços públicos é justificada pela direita, por políticos como Tarcísio, como o Chico em Americana, que é para melhorar o serviço, mas o americanense sabe bem que essa melhora não é automática, basta ver as condições físicas e o atendimento que a Chavantes presta na cidade. E quem sempre paga por essas escolhas é a população”.
Repasse do governo Tarcísio à Unicamp cai 56% e impacta pacientes da área
Fonte: Noticias de Americana

